CULTURA COM ESSÊNCIA

CULTURA COM ESSÊNCIA

"Nico, 1988" A Mulher por Trás do Ícone. Já nos cinemas



Para quem apreciou a música nada convencional de  Christa Päffgen, mais conhecida como Nico, pode conferir o filme "Nico,1988". Um drama biográfico dirigido pela italiana Susanna Nicchiarelli, retratando de maneira mais cautelosa a trajetória dos últimos meses de vida da artista, que foi vocalista da banda Velvet Underground e buscava abandonar as drogas e realizar uma mudança em sua imagem. 

( John Gordon Sinclair é Richard seu  empresário de Nico. Uma relação nunca correspondida )

 A essência do filme transborda pela interpretação perfeita  de Trine  Dyrholm.

Não era fácil conviver com Nico. Seus vícios e músicas profundamente carregadas, trazia à tona seu mundo em conflito pelas suas experiências e decisões tomadas ao longo de sua trajetória. Modelo, atriz, cantora e mãe ausente, Nico se perde no auge de seus atos quando jovem. Por decisão da justiça seu filho Christian Aaron Boulogne passa a viver com os avós paternos que mesmo assim, nunca foi reconhecido pelo pai, o ator francês Alain Delon. 
Não se tratava de lindas canções, performances  e glamour. Apesar da beleza, o tempo  passado refletia muito sobre sua aparência nitidamente desgastada. Ela não queria ser lembrada pela ícone da beleza nos tempos de glória e nem pelos relacionamentos amorosos ou não. Queria resgatar seu lado materno mas isso acabou durando pouco. Assim era Nico o ícone marcante na vida de quem a conheceu. Apesar da narrativa trazer uma tensão, Nico surpreende pela curiosidade  e a perfeita atuação pela maravilhosa atriz dinamarquesa  Trine  Dyrholm, que  inclusive  interpretou  todas  as  canções do  filme com a mesma melancolia depressiva de Nico. Conhecer a história da vida de alguém tão profundo é formidável, um ótimo  filme sobre Christa Päffgen ou simplesmente Nico.


Assista o trailer






O  filme  retrata  os  últimos  anos  de  vida  da  cantora  Christa  Päffgen,  conhecida  como  Nico,  que  foi  vocalista  do  famoso  álbum  de  estreia  da  banda  Velvet  Underground.  O  nome  Nico  lhe  foi  dado  por  Andy  Warhol,  e  é  um  anagrama  da  palavra  “Icon” (ícone).  Christa  Päffgen  nasceu  na  Alemanha  e  viveu  parte  de  sua  infância  durante  a  segunda  Guerra  Mundial.  Ela  iniciou  sua  carreira  como  modelo,  trabalhando  para  Elle,  Vogue e outras grifes.  Depois  estrelou  comerciais  e  participou  de  alguns  filmes,  como  “A Doce Vida” de  Federico  Fellini,  no  qual  interpreta  ela  mesma,  contracenando  com  Marcello  Mastroianni.    Sua  carreira  na  música  começou na  década  de  60.  Ela  gravou  seu  primeiro  single  “I’m  Not  Sayin’“em  1965.  Em seguida  veio  o  álbum  de  estreia  da  banda  The  Velvet  Underground.  Ela  se  apresentou  com  a  banda  durante  um  ano,  cantando  em  shows.  Mas  logo  depois,  a  banda  achou  que  a  presença  dela  atrapalharia  eles,  e  Nico  saiu da  banda.  Em 1967,  lançou  seu  primeiro  álbum  “Chelsea  Girl”,  com  famosas  músicas  como  “These  Days”,  “ I’ll  Keep  It With  Mine”  e  “Chelsea  Girls”.  
NICO,  1988  é  o  terceiro  longa-metragem  de  ficção  da  diretora  Susanna  Nicchiarelli,  que  já  dirigiu  diversos  curtas  e  documentários.  Nico  é  interpretada  pela  grande  atriz  dinamarquesa  Trine  Dyrholm,  que  inclusive  cantou  todas  as  músicas  do  filme.  Ela  ganhou  o  Prêmio  de  Melhor  Atriz  no  Festival  de  Berlim  por  “A  Comunidade”,  também  estrelou  “Festa  de  Família”,  “Em Um  Mundo  Melhor”  (Vencedor  do  Oscar  de  Melhor  Filme  Estrangeiro)  e  “O  Amante  da  Rainha”.  NICO,  1988 ganhou  o  Prêmio  de  Melhor  Filme  na  mostra  Orizzonti  do  Festival  de  Veneza,  Grande  Prêmio  do  Júri do Festival  de  Cinema  Europeu  Les  Arcs,  Prêmio  de  Melhor  Roteiro  no  David  di  Donatello  (Oscar  Italiano)  Além  do  Festival  de  Veneza,  o  filme  esteve  nos  festivais  de  Londres,  Rotterdam,  Tribeca,  Jerusalém,  na  Mostra  de  São  Paulo  e  na  Festa  do  Cinema  Italiano. 

( Profundamente Nico)

O  filme  é  uma  coprodução  internacional  entre  Itália  e  Bélgica,  dirigido  pela  italiana  Susanna  Nicchiarelli  e  estrelado  pela  atriz  dinamarquesa  Trine  Dyrholm,  falado  em  inglês  e  com  direção  de  fotografia  assinada  pela  francesa  Crystel  Fournier  (Tomboy  e  Paris  Pode  Esperar).No  elenco  também  estão  o  britânico  John  Gordon  Sinclair  (A  Paixão  de  Gregory),  a  romena  Anamaria  Marinca  (4  Meses,  3  Semanas  e  2  Dias),  o  francês  Sandor  Funtek  (Azul  é  a  Cor  Mais  Quente),  o  italiano  Thomas  Trabacchi  (A  Minha  Versão  do  Amor)  e  a  britânica  Karina  Fernandez  (Simplesmente  Feliz).

Distribuição e informações: Supo Mungam Filmes

(Nos tempos de The Velvet Underground)

Nota bem interessante da diretora sobre o filme

A  música  que  Nico  fazia  era  difícil,  mas  foi  de  longe  uma  das  produções  mais  interessantes  e  intransigentes  do  período:ela  criou  um  estilo  único  combinando  pesquisa  pessoal  com  soluções  experimentais  provocantes  e  ironia,  sempre  se  recusando  a  se  preocupar  com  a  comercialidade  de  sua  produção.  Enquanto  o  fenômeno  Disco  Music  explodia  ao  seu  redor,  ela  continuou  a  compor  obstinadamente  aquelas  atmosferas  sombrias  e  perturbadoras  que  influenciaram  radicalmente  os  movimentos  gótico  e  da  New  Wave,  e  a  maior  parte  da  produção  underground dos anos  oitenta.  Tudo  isso  dito,  infelizmente,  muito  poucos  sabem  sobre  esse  aspecto  da  vida  de  Nico.  

Nico  é  mencionada  principalmente  em  associação  com  os  homens  famosos  com  quem  ela  dormiu  ou em  conexão  com  a  experiência  Factory-Warhol-Velvet  Underground,  mas  Nico  passou  e  fez  muito  mais  nos  anos  seguintes  a  essas  experiências.  Andy  Warhol  disse  uma  vez:  "ela  se  tornou  uma  viciada  gorda  e  desapareceu",  mas  nada  poderia  ser  menos  verdadeiro.  Também  me  apaixonei  por  Nico  por  sua  inteligência  e  ironia  e  tentei  contar  sua  história  com  a  distância  necessária  e  a  ausência  de  sentimentalismo  dramático,  de  uma  maneira  que eu  penso,  ou  espero,  diria.  Ao escrever  e  filmar,  sempre  tentei  manter  a  distância  correta  e  com  o  respeito  que  acredito  que  devemos  lidar  com  uma  história  verdadeira. 

A  história  de  Nico  é  a  história  de  uma  artista  intransigente  que  encontra  satisfação  em  sua  arte  somente  depois  de  ter  perdido  a  maioria  de  seus  fãs;  de  uma  das  mulheres  mais  bonitas  do  mundo  que  finalmente  fica  feliz  quando  se  livra  de sua  beleza.  Eu  queria  fazer  um  filme  sobre  isso,  sobre  a  mulher  que  Nico  era  por trás  da  imagem  que  a  maioria  das pessoas  tem  dela,  por  trás  do  ícone:  além  de “Nico”,  seu  nome  artístico,  a  verdadeira  Christa.  E  com  a  história  dela,  eu queria  contar  a  história  de  muitas  outras  mulheres,  porque  a  parábola  de  Nico,  embora  dramaticamente  extrema,  contém  muitas  das  dificuldades  que  uma  mulher,  artista  e  mãe  passam  com  maturidade.  

Trine  Dyrholm  deu  uma  contribuição  extraordinária  ao  meu  filme  e  para  mim:  ela  deu  vitalidade  e  energia  para  minha  Nico,  ajudando-me  a  evitar  fazer  um  filme  biográfico  que  imitava  ou  celebrava  o  personagem.  Ela  apoiou  o  filme  com  o  brilho  certo  de  inteligência  que  ele  merecia  e  juntas,  primeiro  através  da  música  (além  de  uma  atriz,  Trine  também  é  cantora  e  musicista),  então  através  das  palavras  e  ações de  Nico,  nós  reinventamos  a  mulher  que  imaginamos  que deve  ter  estado  atrás  da  estrela. 

Com  Trine  compartilhei  minha  pesquisa  biográfica,  todos os  materiais  e  entrevistas  que  colecionei  das  testemunhas:  com  ela  criei  uma  personagem  difícil,  polêmica,  às  vezes  desagradável,  mas  aceitamos  o  desafio  de  que  ela  pudesse  se  tornar  amável  para  o  público.  Com  Trine  e  com  o  resto  do  elenco,  especialmente  com  John  Gordon  Sinclair,  usei  os olhos  dos  outros  em  torno  de  Nico,  do  empresário  aos  membros  da  banda,  para  descrever  a  verdadeira  natureza  da personagem.  Eu  recriei  a  atmosfera  de  uma  banda  de  perdedores  em um  road-movie  pela  Europa  nos  anos  oitenta,  onde as  situações  absurdas  de  uma  turnê  mal  organizada  de  uma  estrela  caída me  davam  a  possibilidade  de  iluminar  o  drama  com  ironia  e  mostrar  como  a  história  de  Nico,  como  a  de  todos,  estava  em  constante  movimento  entre  drama  e  farsa.
  
Os  músicos  com  os  quais  nós  readaptamos  as  músicas  são  uma  banda  italiana  extremamente  talentosa:  o  Gatto  Ciliegia  contro  il  Grande  Freddo  faz  uma  música  eletrônica  muito  experimental  e  muito  melancólica.  Sua  pesquisa  musical  está  entre  as  mais  interessantes  dos  últimos  dez  anos  na Itália,  e  acredito  que,  trabalhando  em  conjunto  com  Trine,  eles  abordaram  a  música  de  Nico  com  o  respeito  que  ela  merece  e  com  a  coragem  de  reinterpretá-la.  Nossa  ideia  era  re-interpretar,  re-viver  e  re-elaborar  emocionalmente  todos  os  componentes  da  história  de  Nico,  a  fim  de  torná-los  contemporâneos  e  universais. 

Ao  criar  o  aspecto  certo  para  o  filme,  com  a  diretora  de  fotografia  Crystel  Fournier,  que  escolhi  pelos  trabalhos  maravilhosos  que  ela  fez  nos  filmes  de  Céline  Sciamma  e  pela  empatia  que  ela  imediatamente  mostrou  ao  abordar  este  roteiro,  tentamos  recriar  uma  imagem  que pudesse  evocar  a  segunda  metade  dos anos  oitenta:  a  qualidade  desses  vídeos,  o  formato  quadrado,  a  cor  das  luzes  usadas  na  época  e  o  low-fino  suporte  analógico  foram  nossas  referências  para  contar  essa  história  desse  grupo  de  perdedores  fora  do  lugar,  prisioneiros  de  uma  época  em que  não  conseguiram  encontrar  seu  espaço.


Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.