CULTURA COM ESSÊNCIA

CULTURA COM ESSÊNCIA

Frantz, um filme inesquecível de François Ozon. Um drama sem cores, mas com uma essência indiscutível.


Se a beleza está nas cores, sim eu acredito, mas também vejo o lúdico no preto e branco. Este belíssimo filme na tela do cinema, mudou meu conceito. Realmente François Ozon me surpreendeu e  sem cores a história deu vida ao drama.


Em uma pequena cidade alemã após a primeira Guerra Mundial, Anna (Paula Beer) visita diariamente o túmulo de seu noivo Frantz (Anton Von Lucke), morto em combate na França. Um dia ela percebe a presença de um jovem francês, Adrien Rivoire (Pierre Niney), que sempre deixa flores no túmulo. A presença dele logo desperta a sua curiosidade e Anna, que ainda mora com os pais de Frantz - que a tratam como filha, comenta sobre o rapaz com a sogra. Um dia o jovem misterioso marca uma consulta médica com o pai de Frantz, médico que se recusa a atendê-lo. Intrigada, a mãe de Frantz pede para Anna convidar o jovem para visitá-los. Aos poucos a família vai criando um vínculo afetivo com Adrien, que conta como conheceu Frantz e como era a sua relação com ele. Quando tudo parece tomar um rumo, Adrien revela algo perturbador para Anna, que agora tem nas mãos decisões que envolvem consequências. Mas qual será a melhor forma de contornar a situação? Anna terá que buscar respostas para seu coração, afinal Adrien decide voltar para sua vida na França e o vazio voltará no coração. 


Direção de François Ozon, fascinado por cinema desde a infância, o cineasta iniciou a sua carreira ainda adolescente ao filmar seus familiares com uma câmera super 8. Frantz, por sua vez, é uma adaptação do filme Não Matarás de 1932, dirigido por Ernst Lubitsch, indicado ao prêmio César 2017 em nove categorias. Frantz também recebeu várias indicações como melhor ator, melhor diretor, melhor atriz revelação, melhor roteiro, direção e arte, melhor filme etc. O último filme de Ozon, L'amant Double acaba de ser exibido no festival de Cannes e criou muita expectativa. Ozon não hesita em tratar de temáticas complexas e seus filmes muitas vezes evocam a manipulação e a estranheza. Mas particularmente eu achei incrível, intenso e ao mesmo tempo sútil. Um detalhe que me encantou é que o filme é preto e branco (lindo de assistir no cinema), e em algumas situações ele se torna colorido. Outro detalhe é que o tempo todo você acaba imaginado uma situação, porém na medida em que a história vai desenrolando, te pega de surpresa (gosto disso). Os sentimentos mudam e as emoções ficam à flor da pele. Simplesmente assistam! 

Sim a essência  do filme, posso dizer que  necessáriamente não precisamos das cores e efeitos especiais, mas o encanto  inesquecível que a história marca a cada instante que acompanhamos o belo e profundo drama. 

Distribuição no Brasil pela Califórnia Filmes. O filme esteve no circuito do Festival Varilux de Cinema Francês 2017. Esteve também  na seleção oficial do Festival Sundance 2017, Festival Internacional de Toronto 2016-TIFF e Mostra Internacional de Cinema de Veneza 2016.  

O longa é inspirado numa peça escrita por Maurice Rostand depois da Primeira Guerra Mundial. Ozon pesquisou mais sobre o tema e descobriu que o diretor americano Ernst Lubitsch fez um filme sobre a obra em 1931, “Não Matarás”. “Minha primeira reação foi afastar-me da ideia. Como eu poderia superar Lubitsch!”, revelou o diretor. Mas logo depois mudou de opinião. “O longa de Libitsch é bonito e valoroso visto pela ótica do contexto pacifista e idealista de depois da guerra. Eu incluí várias de suas cenas. É o filme menos conhecido dele, seu único drama, e foi mal nas bilheterias. A direção dele é admirável e altamente inventiva como sempre. Mas é o filme de um diretor americano de sangue alemão que não sabia que uma segunda guerra mundial estava despontando no horizonte. Ele fez um filme otimista sobre reconciliação. Minha abordagem, como um francês que não viveu durante uma guerra mundial, seria obviamente diferente”, completou.

Premiada como melhor atriz do Festival de Veneza de 2016, a atriz Paula Beer, que dá vida a Anna, impressionou o diretor pela atuação madura já nos testes. “Paula tem uma fagulha maliciosa e ao mesmo tempo possuiu uma certa melancolia. Ela conseguiu incorporar tanto a inocência de uma garota e o poder de uma mulher. Ela tem um espectro impressionante e a habilidade de imediatamente dar vida a uma personagem. E ela é incrivelmente fotogênica”, elogiou.“Frantz” é o quarto filme de Ozon lançado no Brasil pela California Filmes. A distribuidora já lançou “Swimming Pool – À Beira da Piscina”, “Ricky” e “Dentro de Casa”.


Ficha Técnica: 

Direção e roteiro: François Ozon 

Elenco: Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner, Marie Gruber, Johan von Bülow, Anton von Lucke, Cyrielle Clair e Alice de Lencquesaing. 

Produção: Eric e Nicola Altmayer 

Coprodução: Stefan Arndt e Uwe Schott 

Direção e Fotografia: Pascal Marti

Direção de Arte: Michel Barthélémy 

Trilha Original: Philippe Rombi 

Edição: Laure Gardette

Distribuidora:  California Filmes

Agradecimentos: Sinny Assessoria












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